Carros em elevadores numa oficina

Quando um carro é declarado perda total ou desaparece por roubo, a seguradora não paga «o que o carro vale». Paga o que a apólice diz que ele vale. E há três formas muito diferentes de fixar esse número.

Valor venal, valor em novo e valor acordado

  • Valor venal. É o valor de mercado do carro imediatamente antes do sinistro, segundo as tabelas que a seguradora utiliza (normalmente as que as Finanças espanholas publicam para veículos usados, com correções). É a fórmula por defeito de quase todas as apólices generalistas. O problema: as tabelas são genéricas e não sabem se o seu carro tem 30.000 ou 180.000 km, se é uma versão especial ou se tinha equipamento que custou milhares de euros.
  • Valor em novo. Durante os primeiros anos (habitualmente um ou dois), a seguradora paga o preço de um carro novo equivalente. É uma cobertura útil mas temporária, e costuma desaparecer precisamente quando o carro começa a ser difícil de substituir.
  • Valor acordado. O valor do carro é fixado por escrito na apólice antes da contratação, com base no seu estado real, quilómetros e equipamento. Em caso de perda total ou roubo, é esse o montante que recebe, sem discussões sobre tabelas.

Porque é que a diferença pode ser grande

Pense num carro premium com sete anos, comprado na Alemanha por 38.000 € porque estava impecável, com pack desportivo, jantes forjadas e 60.000 km. A tabela de valor venal para esse modelo e esse ano pode dar bastante menos, porque faz a média de todos os carros dessa idade, incluindo os que estão em muito mau estado. Com valor acordado, o número da apólice reflete o que realmente pagou e o que custaria substituí-lo.

O mesmo acontece ao contrário em carros muito usados: se vai fazer um seguro de danos próprios a um carro de 3.000 €, o valor acordado não faz grande sentido. Cada cobertura tem o seu lugar.

O equipamento extra: o que quase ninguém segura bem

Jantes, travões, elementos aerodinâmicos, estofos especiais, sistemas de som, preparações homologadas. Numa apólice normal, tudo isso são «acessórios» e costuma estar limitado a um valor pequeno ou excluído se não tiver sido declarado. Numa apólice a valor acordado, o equipamento é descrito ao fixar o valor e fica incluído. Se o seu carro tem mais de uns milhares de euros em extras, só este ponto já justifica considerar a opção.

Carros importados: o vazio entre o transporte e as chapas de matrícula

Um caso muito nosso. Quando compra um carro noutro país europeu, há vários momentos em que o carro é seu mas não está coberto por um seguro normal:

  1. Durante o transporte. O transportador responde pela carga segundo as regras do transporte internacional (CMR), mas com limites por quilo que, num carro de valor, podem ficar muito aquém. Por isso contratamos uma apólice de trânsito que cobre o veículo desde o carregamento na origem até à descarga no destino.
  2. Entre a chegada e a matrícula. O carro está em Espanha sem matrícula espanhola. Não pode circular, mas pode sofrer danos, roubo ou incêndio num parque de estacionamento. Deve estar coberto.
  3. A partir do dia das chapas de matrícula. A apólice de circulação deve estar ativa nesse mesmo dia. Parece óbvio e é uma falha habitual: o carro chega, é matriculado numa terça-feira e o seguro é contratado «para a semana».

Quando importamos um carro, articulamos as três etapas para que não haja vazios, e fixamos o valor acordado com a documentação da compra, que é o melhor momento para o fazer.

Franquia, oficina e substituição: as outras três perguntas

  • Com ou sem franquia. A franquia baixa o prémio em troca de assumir as primeiras centenas de euros de cada sinistro. Compensa se conduz pouco e tem margem financeira; não compensa se o carro trabalha muito.
  • Livre escolha de oficina. Muitas apólices baratas obrigam a recorrer a oficinas convencionadas. Em carros premium, recentes ou importados, poder reparar no serviço oficial com peças originais protege o valor do carro e a sua garantia.
  • Veículo de substituição. Se o carro é a sua ferramenta de trabalho ou o único da casa, veja quantos dias cobre e a partir de que tipo de sinistro.

Frotas: uma apólice, muitas unidades

Para empresas com vários veículos, a apólice de frota unifica condições, simplifica inclusões e exclusões quando se renovam unidades e costuma sair mais em conta do que segurar carro a carro. Se, além disso, compra ou vende lotes na Europa, a cobertura do transporte integra-se na mesma relação com a seguradora.

Então, quando compensa o valor acordado?

  • Quando o carro vale claramente mais do que a média do seu modelo e ano: bom estado, poucos quilómetros, equipamento.
  • Quando o importou e tem documentado quanto custou pô-lo na estrada.
  • Quando é de coleção, edição limitada ou desportivo, e não existe uma «tabela» que o represente bem.
  • Quando tem extras no valor de vários milhares de euros.

E não compensa quando o carro vale pouco, é pouco utilizado e a diferença de prémio não se justifica. Um bom consultor também lhe dirá isso.

Nota. A emissão de qualquer apólice está sujeita à avaliação do veículo e à verificação do histórico de sinistralidade. As condições concretas dependem da seguradora e de cada caso.
Se quiser saber que valor seria fixado para o seu carro, para o que vai importar ou para a sua frota, peça-o em Seguros. Quatro passos e respondemos com uma proposta.
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